Na noite desta segunda-feira (24), Romeu Zema, candidato do Novo à Presidência da República, foi o primeiro presidenciável a "enfrentar" Renata Vasconcellos e César Tralli no novo formato de entrevistas da Globo e rapidamente descobriu que, diante de uma pergunta objetiva, discurso político não necessariamente basta como resposta, viu!?
A atuação de Renata, especialmente, virou um dos assuntos mais comentados da noite. No X, antigo Twitter, o nome da jornalista chegou a superar o do próprio candidato em menções! Entre os comentários, sobraram elogios à postura firme da apresentadora.
“Ela, como sempre, cirúrgica”, escreveu um internauta. “Precisamos pedir para a Renata mediar os debates. Ela é firme, direta e reta”, opinou outro. E não foi nada difícil entender de onde veio a aclamação... aos detalhes!
Um dos primeiros embates da noite aconteceu justamente em uma área que poderia ser uma vitrine para Zema: as contas públicas de Minas Gerais. O candidato afirmou que havia assumido o governo com um déficit de R$ 11 bilhões e que teria deixado um superávit de R$ 5 bilhões. Mas, enquanto Zema usava os números para defender sua gestão, Renata Vasconcellos colocou outra conta na mesa: a dívida do estado.
“O senhor governou Minas Gerais por quase oito anos e a dívida do governo cresceu 100%. Por que o eleitor deve acreditar que, se o senhor for eleito, conseguirá diminuir a dívida, se não conseguiu fazer isso no governo de Minas?”, questionou.
A pergunta atingiu justamente o ponto central do discurso econômico do candidato: a promessa de fazer, no Brasil, aquilo que ele afirma ter feito em Minas. E a própria Globo foi além na análise dos números apresentados por Zema! Em checagem publicada após a entrevista, o g1 classificou como “Não é bem assim” a afirmação de que o candidato teria deixado o estado com um superávit de R$ 5 bilhões.
O déficit de 2018 foi, de fato, de aproximadamente R$ 11,4 bilhões. Já os R$ 5,1 bilhões de superávit citados por Zema correspondem a 2024, e não ao último ano completo de sua gestão. Segundo o g1, aquele resultado foi impulsionado por receitas extraordinárias dos acordos de Mariana e Brumadinho.
Em 2025, último ano completo de Zema antes de deixar o governo, o resultado foi de R$ 1,1 bilhão de superávit, segundo a Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais. Para 2026, a projeção era de retorno a um déficit de R$ 5 bilhões.
A cobrança ficou ainda mais evidente quando o assunto passou para a violência contra as mulheres. Renata perguntou quais compromissos Zema assumiria, caso eleito, no combate à violência contra mulheres. O candidato respondeu enumerando programas de seu governo, como delegacias especializadas, casas de acolhimento, tornozeleiras eletrônicas e ações de conscientização.
Só que a jornalista não ficou na propaganda. “Como você explica esses números que cresceram então em cinco anos do governo de feminicídio?”, questionou. Zema tentou relativizar os dados. Renata então especificou os anos considerados e apontou o aumento registrado em 2022.
A sequência viralizou no X. Um dos internautas brincou com uma resposta do candidato na qual ele disse ter “uma série de programas contra as mulheres”, quando a pergunta era justamente sobre programas de combate à violência contra as mulheres.
Mas foi ao falar sobre os condenados pelos atos de 8 de janeiro que a temperatura subiu! Zema tentou sustentar que houve pessoas condenadas de maneira desproporcional e citou o caso de uma mulher que teria recebido 14 anos de prisão por “sujar um monumento público”.
Renata interrompeu o raciocínio e trouxe a discussão para o que havia sido efetivamente considerado nos processos. “O senhor quer que eu repita aqui a lista de crimes graves pelos quais essas pessoas foram efetivamente condenadas pelo Supremo?”, disparou, grandona.
Em outro momento, ela lembrou que as condenações envolviam crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e dano ao patrimônio tombado.
A checagem publicada pelo g1 reforçou a necessidade do contraponto: no caso de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”, a condenação não ocorreu simplesmente pela frase escrita na estátua da Justiça. O processo considerou sua participação nos atos e cinco crimes.
No X, a reação foi quase instantânea. “Que jornalista excepcional é a Renata Vasconcellos, sabe debater muito bem”, publicou outro perfil. Também apareceram comentários mais passionais, com internautas comemorando cada interrupção e dizendo que a jornalista estava “jantando” Zema. César Tralli também apareceu entre os assuntos mais comentados.